Furto de vírus na Unicamp: imagens mostram suspeitos retirando material de laboratório

Furto de vírus: imagens mostram retirada de amostras de laboratório da Unicamp Imagens de câmeras de segurança anexadas ao inquérito da Polícia Federal qu...

Furto de vírus na Unicamp: imagens mostram suspeitos retirando material de laboratório
Furto de vírus na Unicamp: imagens mostram suspeitos retirando material de laboratório (Foto: Reprodução)

Furto de vírus: imagens mostram retirada de amostras de laboratório da Unicamp Imagens de câmeras de segurança anexadas ao inquérito da Polícia Federal que investiga o furto de vírus da Unicamp, no início deste ano, mostram a pesquisadora Soledad Palameta Miller e o marido dela, o doutorando Michael Edward Miller, entrando em áreas restritas do Laboratório de Virologia e saindo com amostras. Os registros, aos quais o g1 teve acesso nesta segunda-feira (24), mostram movimentações consideradas atípicas, inclusive à noite, aos fins de semana e durante períodos de recesso, além de acessos ao laboratório de segurança máxima NB-3 sem os equipamentos de proteção exigidos (assista ao vídeo acima). As imagens não mostram o momento exato em que os frascos de vírus são retirados dos biofreezers. No entanto, segundo o relatório de incidente que integra o processo, os registros de vídeo, associados aos dados de acesso por biometria e à constatação do desaparecimento das amostras, são apontados como indícios da retirada do material. O caso veio à tona em fevereiro de 2026 e passou a ser investigado pela PF como furto qualificado por abuso de confiança. Segundo a denúncia, pelo menos 24 cepas de vírus foram retiradas do laboratório do Instituto de Biologia e encontradas posteriormente em outros prédios da própria universidade. Em nota, a Unicamp informou que concluiu uma sindicância sobre o suposto furto e instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apuração de possíveis infrações cometidas pelos envolvidos nas ocorrências. A sindicância sugeriu estudos para novas normativas com o objetivo de disciplinar rigorosamente a criação, funcionamento e acompanhamento de laboratórios de biossegurança de alto risco. Enquanto os estudos estão e, a instituição já aplicou medidas preventivas e restritivas, incluindo "a auditoria dos laboratórios envolvidos para a verificação de protocolos, o bloqueio definitivo do acesso dos investigados às instalações de pesquisa e o reforço no monitoramento dos sistemas de controle biométrico e de vigilância das áreas de contenção". "A instituição não tolera qualquer desvio de conduta que coloque em risco a saúde pública ou a integridade de suas pesquisas. A universidade reafirma que assegura aos envolvidos o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa", disse a Unicamp, que ressaltou que colabora com as investigações das autoridades. Ausência de EPIs e entrada sem autorização Michael entra no laboratório transportando uma caixa de papelão Reprodução As gravações revelam que Michael circulava frequentemente pelos laboratórios Geral, NB-2 e na área de biossegurança máxima NB-3 em horários noturnos, finais de semana e durante o recesso acadêmico, quando as instalações estavam vazias e sem a presença da supervisão responsável. Em diversas ocasiões, o veterinário foi filmado entrando e trabalhando na sala NB-3 sem utilizar os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) obrigatórios para a manipulação de agentes infecciosos de alto risco, como os vírus da dengue, chikungunya, zika, H1N1 e coronavírus humano. O sistema também registrou a circulação da professora Soledad Palameta Miller nas áreas restritas NB-2 e NB-3, apesar de ela ter se desligado formalmente do grupo de pesquisa em janeiro de 2025, o que caracterizou ingresso não autorizado em ambiente controlado. Trânsito de caixas e apagão nas câmeras A investigação apontou uma sequência de retiradas de volumes do complexo laboratorial ao longo de três meses: 10 de dezembro de 2025: Soledad foi gravada saindo do laboratório transportando duas caixas de isopor. 11 de dezembro de 2025: Michael entrou no local com duas caixas de isopor vazias e deixou o recinto sem elas. 23 de dezembro de 2025: durante o recesso de fim de ano, Michael foi filmado deixando o prédio com três caixas transparentes com materiais. 2 de fevereiro de 2026: o doutorando entrou com uma mochila e uma caixa de papelão, retirando ambas após duas horas. Um dos pontos apontados pelo processo ocorreu na noite de 24 de fevereiro. Às 21h36, Michael entrou no laboratório carregando uma caixa de papelão. Doze minutos depois, às 21h48, o sistema de câmeras parou de gravar por quase duas horas, voltando a operar apenas às 23h38. Apesar da interrupção das imagens, o sistema de controle biométrico continuou registrando que Michael acessou a sala restrita NB-3 múltiplas vezes durante o apagão visual. Às 23h46, com as câmeras restabelecidas, ele foi gravado saindo do prédio carregando um objeto na mão esquerda. Soledad abre freezer do laboratório NB-2 sem EPI Reprodução Cronologia da descoberta do furto Na manhã seguinte, em 25 de fevereiro, os registros mostram que Michael voltou ao local às 7h28 e acessou a sala dos biofreezers por cerca de um minuto (entre 7h33 e 7h34). Ele deixou o laboratório às 7h35 com uma caixa de isopor branca, deixada temporariamente do lado de fora antes de sua saída. Pouco mais de uma hora depois, às 8h46, a equipe do laboratório percebeu que o alarme do biofreezer estava acionado e constatou que as caixas com as amostras de vírus haviam sido retiradas dos suportes de armazenamento (racks). Embora as câmeras não registrem o momento exato da extração dos frascos, a Polícia Federal e a perícia apontam que o cruzamento das imagens com os dados de acesso biométrico e o sumiço imediato do material sustentam os indícios de autoria do furto contra o casal. Michael, Soledad, furto de vírus, Unicamp Reprodução 10 pontos para entender o caso Pelo menos 24 cepas diferentes de vírus foram levadas de um laboratório da Unicamp Entenda abaixo, em 10 pontos, o que já se sabe sobre o caso e o andamento da investigação: Local do crime: as amostras biológicas foram retiradas sem autorização do Laboratório de Virologia do Instituto de Biologia (IB), uma área de nível 3 de biossegurança (NB-3), o mais alto patamar de contenção laboratorial no Brasil para agentes infecciosos. Principais suspeitos: a investigação aponta a professora Soledad Palameta Miller, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), e seu marido, o veterinário e doutorando Michael Edward Miller, como os suspeitos pelo furto do material biológico. Vírus furtados: segundo apuração do Fantástico, foram levadas pelo menos 24 cepas diferentes, como dengue, zika, chikungunya, herpes, coronavírus humano e 13 tipos de vírus animais. Além disso, o g1 apurou que entre as amostras estavam os vírus H1N1 e H3N2, causadores da gripe tipo A. Cronologia dos fatos: o desaparecimento das amostras foi notado inicialmente por uma pesquisadora em 13 de fevereiro de 2026; a Unicamp notificou a Polícia Federal em 16 de março e o inquérito foi instaurado oficialmente em 20 de março. Evidências por câmeras: registros de câmeras de segurança mostraram Michael Miller saindo do laboratório NB-3 com caixas em horários incomuns no final de fevereiro, o que levou a universidade a apontá-lo como suspeito do furto. Fraude processual e descarte: após a PF realizar buscas em sua residência no dia 21 de março, Soledad Miller retornou à Unicamp e descartou parte do material biológico dentro de um dos laboratórios para tentar destruir evidências. Localização do material: as amostras foram recuperadas pela perícia em três locais distintos: na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) e no Instituto de Biologia. Motivação e risco: a PF descartou a hipótese de terrorismo biológico, indicando que a motivação seria relacionada a pesquisas internas do casal; as autoridades garantem que todas as amostras foram recuperadas e que não houve contaminação externa. Tipificação penal: a pesquisadora é investigada por crimes como furto qualificado, fraude processual, perigo para a vida ou saúde de outrem e manutenção ou transporte irregular de organismos geneticamente modificados. Andamento do processo: Soledad Miller responde ao processo em liberdade provisória, sob condições como proibição de acessar os laboratórios envolvidos; paralelamente, a Unicamp instaurou uma sindicância interna para apurar o caso. O marido da professora ainda é investigado pelo furto do material. LEIA TAMBÉM Furto de vírus na Unicamp: H1N1 estava entre amostras levadas de laboratório Sociedade Brasileira de Virologia acompanha investigação e reforça confiança em protocolos de segurança científica Câmeras registraram retirada de vírus de laboratório da Unicamp; veja cronologia do caso O que diz a Unicamp A Reitoria da Universidade Estadual de Campinas comunica que, após a conclusão da sindicância instaurada para apurar a subtração de amostras de vírus do Laboratório de Virologia Aplicada do Instituto de Biologia (IB), ocorrida em fevereiro de 2026, instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), para apuração de possíveis infrações cometidas pelos envolvidos nas ocorrências. A sindicância sugere, também, que sejam feitos estudos de novas normativas, com o objetivo de disciplinar rigorosamente a criação, funcionamento e acompanhamento de laboratórios de biossegurança de alto risco no âmbito da Universidade. Como ações imediatas voltadas à segurança, a instituição já aplicou medidas preventivas e restritivas, incluindo a auditoria dos laboratórios envolvidos para a verificação de protocolos, o bloqueio definitivo do acesso dos investigados às instalações de pesquisa e o reforço no monitoramento dos sistemas de controle biométrico e de vigilância das áreas de contenção. A Unicamp reitera que está colaborando integralmente com as investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) e os órgãos federais competentes, como o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A instituição não tolera qualquer desvio de conduta que coloque em risco a saúde pública ou a integridade de suas pesquisas. A Universidade reafirma que assegura aos envolvidos o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Laboratório de Virologia do instituto de Biologia da Unicamp Estevão Mamédio/g1 Infográfico mostra local de onde amostras de material biológico foram retiradas na Unicamp, e por quais crimes a professora Soledad Palameta Miller vai responder na Justiça Arte g1 Imagem aérea do campus da Unicamp, em Campinas (SP) Reprodução/EPTV VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

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