Taiaçupeba: conheça a história e as curiosidades do distrito de Mogi das Cruzes

Taiaçupeba é um dos 11 distritos de Mogi das Cruzes Guilherme Berti/PMMC Mogi das Cruzes completa 466 anos nesta terça-feira (1º). Ao longo de quase cinco s...

Taiaçupeba: conheça a história e as curiosidades do distrito de Mogi das Cruzes
Taiaçupeba: conheça a história e as curiosidades do distrito de Mogi das Cruzes (Foto: Reprodução)

Taiaçupeba é um dos 11 distritos de Mogi das Cruzes Guilherme Berti/PMMC Mogi das Cruzes completa 466 anos nesta terça-feira (1º). Ao longo de quase cinco séculos, a cidade cresceu e passou a reunir diferentes bairros e distritos. Um deles é Taiaçupeba, na região sul do município. O distrito é conhecido pelas áreas de natureza, mas também guarda construções e histórias que fazem parte da trajetória de Mogi das Cruzes. ✅ Clique para seguir o canal do g1 Mogi das Cruzes e Suzano no WhatsApp Além das áreas verdes, Taiaçupeba tem escolas, unidade de saúde, espaços para atividades sociais e pontos turísticos que atraem visitantes. Para conhecer melhor uma das regiões de Mogi das Cruzes, o g1 reuniu informações sobre Taiaçupeba (confira abaixo). LEIA MAIS Mogi das Cruzes tem 11 distritos e 107 bairros; veja quais são Quatinga: conheça o distrito que reúne áreas rurais e pontos turísticos em Mogi das Cruzes 📖 História A história de Taiaçupeba começou antes de o local se tornar oficialmente um distrito. Segundo documentos do Arquivo Histórico de Mogi das Cruzes, a região fazia parte do antigo Bairro de Campo Grande e já era ocupada antes de 1800. Praça Central de Taiaçupeba em 1991 Reprodução/Arquivo Histórico de Mogi das Cruzes O território também era usado por tropeiros que transportavam produtos agrícolas entre Mogi das Cruzes e o Porto de Santos. No século 20, o distrito passou a receber serviços como energia elétrica, em 1950, abastecimento de água e cartório, ambos em 1952. A construção da Adutora Rio Claro, iniciada em 1926, também levou centenas de trabalhadores para a região. VEJA MAIS Agora no g1 Durante esse período, houve um conflito entre moradores e responsáveis pela obra depois que uma porteira foi instalada para impedir a passagem por um caminho usado pela comunidade. Segundo os registros históricos, Faustino de Souza Lima e outros moradores destruíram a porteira a golpes de machado depois que tentativas de resolver a situação por meio do diálogo não tiveram resultado. Represa do Rio Jundiaí em Taiaçupeba no ano de 1991 Reprodução/Arquivo Histórico de Mogi das Cruzes O nome Taiaçupeba foi oficializado em 1927, quando o local foi elevado à categoria de distrito pela Lei nº 2.257, de 31 de dezembro. Antes disso, a região era conhecida oficialmente como Bairro de Campo Grande ou Capela do Ribeirão, nome usado pelos moradores. A agricultura teve papel importante no desenvolvimento de Taiaçupeba. A partir de 1935, a chegada de imigrantes japoneses impulsionou a produção de verduras e batatas. Dama de Ferro A educação também faz parte da história do distrito. A professora Cacilda de Sousa Lima, conhecida como “Dama de Ferro de Taiaçupeba”, pressionou políticos e autoridades para conseguir recursos e melhorar a estrutura de ensino na região. Cacilda dedicou décadas ao magistério e começou a carreira em Araraquara. Lá, enfrentou a resistência de fazendeiros que priorizavam o trabalho infantil. Sem sala de aula ou materiais, ela buscava alunos nas casas de colonos e ensinava debaixo de árvores. Para as aulas, usava cascas de palmito como cadernos e pedaços de pau como lápis. Praça de Taiaçupeba em 1991 Reprodução/Arquivo Histórico de Mogi das Cruzes Em 1953, já em Taiaçupeba, Cacilda transformou a própria casa em sala de aula. Segundo o Arquivo Histórico, ela também participou da criação e manutenção de escolas em bairros afastados. A professora deu aulas para pessoas que mais tarde ganharam destaque na região, como Pedro Eroles e Juranda Brecheret. Em 1956, foi inaugurado o Grupo Escolar Benedito de Souza Lima, atual Escola Estadual Benedito de Souza Lima. A escola recebeu o nome do sogro de Cacilda e o sobrenome da família. Asfalto O asfaltamento da estrada entre Mogi das Cruzes e Taiaçupeba foi inaugurado em 5 de fevereiro de 1975, após cerca de 20 anos de espera. Homens trabalhando no asfaltamento do Trevo na estrada Mogi-Taiaçupeba Reprodução/Arquivo Histórico de Mogi das Cruzes Em 1954, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) iniciou estudos para a construção da estrada Mogi-Bertioga, que passaria pelo distrito. O projeto, porém, foi adiado por falta de recursos. Em 1972, o então secretário dos Transportes, Paulo Maluf, prometeu pavimentar a estrada durante uma visita a Taiaçupeba. A obra ligou Mogi das Cruzes à região conhecida como Capelinha do Ribeirão, outro nome usado para Taiaçupeba. A inauguração contou com a presença de Maluf e do então subprefeito Francisco Ferreira Lopes. Até então, os moradores dependiam de estradas de terra. O asfaltamento melhorou a ligação de Taiaçupeba e o restante de Mogi das Cruzes. 🌱 Vegetação Taiaçupeba é conhecida pelas áreas de Mata Atlântica, nascentes e propriedades rurais. O distrito fica próximo ao Parque Estadual da Serra do Mar e também abriga Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs). Represa do Rio Jundiaí está localizada em Taiaçupeba Cauê Adamuz / g1 A região faz parte da Bacia do Alto Tietê e do Cinturão Verde do estado de São Paulo. Por isso, é considerada importante para a conservação ambiental e a preservação dos recursos hídricos. A bióloga e educadora Juliana Coutinho conhece a região desde 2003, quando participou de um curso de Educação Ambiental no Parque das Neblinas. Desde então, atua em projetos de educação e conservação ambiental no distrito. 🌳 Segundo Juliana, a vegetação reúne espécies da Mata Atlântica em diferentes estágios de conservação. Entre elas está a palmeira-juçara, espécie ameaçada de extinção. A fauna inclui animais como anta, onça-parda e muriqui, considerado o maior primata das Américas. Bicho-preguiça foi encontrado na rodovia Mogi-Taiaçupeba Reprodução / Alessandro Batata “Taiaçupeba está localizada na maior porção contínua de Mata Atlântica, sendo uma área que atua como um corredor ecológico importantíssimo na conexão de outras áreas de floresta”, afirma. Juliana também participa de iniciativas voltadas à educação ambiental e à valorização da floresta, inclusive com possibilidades de geração de renda. Juliana palestrando durante oficina com temática de Educação e Natureza Reprodução/ ⛰️ Entre os exemplos estão o manejo de frutos nativos, como cambuci e juçara, a restauração de áreas, os sistemas agroflorestais e o turismo ecológico. Cambuci é um dos frutos tradicionais da região de Taiaçupeba Rafael Hussta/TV Diário Para a bióloga, a conservação também enfrenta desafios provocados pelas mudanças no território, como o avanço de loteamentos e a chegada de moradores vindos de áreas urbanas. 🏡 Habitação O distrito reúne áreas urbanizadas, chácaras, propriedades rurais e regiões de mata. Segundo a Prefeitura, Taiaçupeba tem atualmente 5.908 moradores e 377 imóveis registrados. O distrito reúne três bairros: Pedra Branca, Taiaçupeba e Vargem Grande. (veja abaixo). ´ A região também tem três unidades de ensino — duas escolas municipais e uma creche —, além da Unidade de Saúde da Família (USF) Taiaçupeba. USF Taiaçupeba e Creche Vitória II Divulgação/PMMC ♻ Sociedade Amigos de Taiaçupeba (SAT) A Sociedade Amigos de Taiaçupeba (SAT) atua na comunidade desde a década de 1960. Desde 2000, a entidade administra, por meio de uma concessão, um espaço que pertence à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Logo da Sociedade Amigos de Taiaçupeba (SAT) Divulgação/SAT 🏘 O local funcionava originalmente como um conjunto de casas para funcionários da empresa. Atualmente, a área recebe atividades voltadas aos moradores do distrito. A presidente da SAT, Helena Ronchi, está à frente da associação desde 2024. Segundo ela, a atual gestão começou com a reorganização administrativa da entidade, que enfrentava problemas trabalhistas e jurídicos. A situação mudou após a privatização da Sabesp, em 2022. De acordo com Helena, os recursos destinados à manutenção do espaço foram interrompidos. Com isso, a associação precisou buscar novas formas de financiar as atividades. Mesmo com as dificuldades, a SAT continuou recebendo projetos. O espaço recebe cursos e mantém atividades esportivas e culturais. 💃 Entre as atividades oferecidas estão balé, pilates, futebol, taekwondo, teatro e aulas de inglês. Segundo Helena, o balé é um dos projetos mais antigos e é oferecido pela associação há cerca de 20 anos. De acordo com a SAT, as atividades têm valores reduzidos para ajudar a custear o trabalho dos professores. O espaço também recebe atividades no contraturno escolar para alunos da rede municipal e ações voltadas ao fortalecimento físico de pessoas idosas. A associação ainda abriga uma rádio comunitária, que funciona de forma independente. “Alguns projetos que acontecem em Taiaçupeba procuram a SAT como um espaço para conseguir realizar essas atividades”, explica Helena. A atuação da entidade vai além das atividades oferecidas na sede. Ao longo dos anos, a SAT também participou de iniciativas voltadas ao meio ambiente e à comunidade, como ações de conscientização e projetos de preservação das nascentes do Rio Jundiaí. 📅 A SAT prepara novos projetos para o segundo semestre de 2026. Segundo a presidente, a entidade conseguiu viabilizar novas propostas por meio de editais e da busca por financiamento privado. 🧳 Pontos turísticos Além das áreas de mata e dos espaços voltados à comunidade, Taiaçupeba também reúne pontos turísticos que fazem parte da história e da paisagem do distrito. ➡️ Entre os destaques estão igrejas antigas, a Represa do Rio Jundiaí, o Parque das Neblinas e outros espaços que atraem moradores e visitantes. Barragem do Rio Jundiaí Barragem do Rio Jundiaí - Mogi das Cruzes Divulgação/PMMC Localizada no bairro das Aroeiras, a barragem foi construída na década de 1990 para ajudar no controle de enchentes. Anos depois, passou a integrar o Sistema Produtor Alto Tietê (SPAT), responsável pelo abastecimento de parte da Região Metropolitana de São Paulo. Para criar a barragem na década de 80 várias propriedades da área foram desapropriadas pelo governo do Estado. Uma delas foi a do pintor chinês Chang Dai-Chien que depois de rodar alguns países do mundo, fixou residência no local. No mundo das artes ele é conhecido como o “Picasso Chinês” porque suas obras chegaram a ser vendidas com valor acima das pinturas do mestre espanhol Pablo Picasso. Na propriedade, ele reproduziu um pedaço da China no Brasil. A casa em estilo arquitetônico chinês chamava atenção de quem passava pelo lugar. Além da construção, jardins ricamente ornados com vegetação, flores, pedras e lagos eram outra atração do local. Fazenda Rio Grande Fazenda Rio Grande - Mogi das Cruzes Divulgação/PMMC Localizada em Taiaçupeba, a Fazenda Rio Grande tem 196 hectares e fica a 1.050 metros de altitude. Cercado pela Mata Atlântica, o local oferece cachoeiras, piscinas naturais, trilhas, hospedagem, restaurante e passeios a cavalo. Entre as opções estão a Trilha de Itatinga, que leva cerca de uma hora para ser percorrida, e a Trilha das Águas, com duração de aproximadamente 20 minutos. Igreja Matriz de Taiaçupeba Igreja Matriz de Taiaçupeba - Mogi das Cruzes Divulgação/PMMC A história da Capela de Santa Cruz está ligada a Cipriano Branco da Silva, que participou da criação do espaço religioso e ajudou a reunir a comunidade local. Para ajudar a concluir a construção da capela, Cipriano vendeu parte de seus bens, incluindo vacas e colares de ouro. A primeira missa no local foi celebrada em 6 de junho de 1864. A construção foi reformada ao longo do século XIX e tem talhas e pinturas no forro, consideradas de valor histórico e artístico. As obras foram feitas por José Benedito da Cruz, conhecido como JBC, artista sacro-popular. A capela atual tem paredes de taipa de pilão, com até 1 metro de espessura. Parque das Neblinas Parque das Neblinas - Mogi das Cruzes Divulgação/PMMC O Parque das Neblinas é uma reserva privada administrada pelo Instituto Ecofuturo, localizada no limite entre Mogi das Cruzes e Bertioga. Desde 2006, o local é reconhecido como Posto Avançado da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo. O local promove atividades de educação ambiental, pesquisa científica, cultivo de espécies ameaçadas e turismo ecológico. Entre as atrações estão trilhas, nascentes, a Cachoeira da Mineração e uma passarela suspensa de 100 metros. Pesqueiro Ueda Pesqueiro Ueda - Mogi das Cruzes Divulgação/PMMC O Pesqueiro Ueda oferece pesca esportiva e conta com diferentes espécies de peixes, como traíra, dourado, matrinxã, carpa, pintado, curimbá, tilápia e tambaqui. *estagiária sob a supervisão de Gladys Peixoto Assista a mais notícias do Alto Tietê

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